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Poeta e apenas poeta

Já me olharam espantados quando digo que sou poeta e só poeta. Que não canto, nem danço, nem atuo, nem pinto, nem bordo, que "só" ...

terça-feira, 22 de setembro de 2009

adeus

Em um dia tão terrível, fortemente lamentável, me levantei da cama porque não poderia mais ficar a sós com meus pensamentos. Pensá-los era como me sufocar e deprimir-me sem tamanho. Como que uma paixão inacabada, um assunto que já está morto e enterrado pode ainda me incomodar tanto assim? Tenho saudades dela que vivi esses meses tão fenomenais em minha vida. Ela que foi assim perfeitamente tudo que eu poderia esperar de alguém. Cada toque em uma sinergia que eu jamais imaginei possível. Cada gesto, cada suspiro, olhar e convívio era intenso e nada menos do que isso. Brigávamos pois sim, por nossa intensidade, por nossa absurda e total paixão. Nossos conflitos acendiam nossa paixão, instigavam nossos instintos, dançávamos loucamente sem nem pensar nas consequências lógicas, básicas e morais. Se ela era difícil eu não era nada fácil, nenhum dos dois sabia bem ceder, sabia como proceder senão num misto de dor e prazer que se alternava num sabor maravilhoso e louco. Eu sei que o que houve não é findo, ainda lacera o peito, ainda causa insônia, a distância não consegue romper esse vício, essa loucura que vivemos à dois. Resta-nos apenas esquecer? Resta-me apenas lembrar e sorrir? Eu espero mais do que sempre foi demais. Desregrado, sem normas, sem pudor e desenfreadamente delicioso.

4 comentários:

Laura Cohen disse...

Ai, você que não sabe. Um amor nunca termina, mesmo depois de terminado.

Laura Cohen disse...

sobre o argumento do livro de biblioteca, você já pensou em deixar bilhetes dentro deles?

Anónimo disse...

"Eu espero mais do que sempre foi demais. Desregrado, sem normas, sem pudor e desenfreadamente delicioso."...certas paixões acabam fazendo parte do nosso DNA...gosto de como você expressa. Queria ter essa habilidade com palavras para expressar minha inabilidade com minhas paixões!

Dayanne Andrade disse...

Bom... O que dizer sobre uma paixão que mesmo não sendo durandora ainda assim é imortal? Que ainda cutuca de forma singela, o pedacinho nosso que ainda vive por aquela paixão? Paixões são tao avasaladoras, sem pudor e desenfreadamente perigosas, mas já mais deixará de ser uma deliciosa maneira de amar intensamente por um tempo indeterminado... imortal... Relativamente o tempo de cada um....