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Poeta e apenas poeta

Já me olharam espantados quando digo que sou poeta e só poeta. Que não canto, nem danço, nem atuo, nem pinto, nem bordo, que "só" ...

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Alice

Lucas C. Lisboa

Chegou à sua casa muito abalada. Passou pela sala sem nem se dar conta se lá havia ou não alguém presente - pouco lhe importaria tal naquele momento. Passou pelo corredor até chegar à porta de seu quarto e, achando que tudo estava perdido, trancou-se. Aos prantos, na sua cama deitou-se e soluçou e chorou até adormecer pesadamente.

Despertou com todo seu corpo alquebrado; um mal estar terrível lhe subia pelo amargor salgado que habitava sua boca. Não tivera sonhos, mas ainda remoia seu triste destino. Tudo que queria era desaparecer, mas abriu o chuveiro e, ao cair das águas mais cálidas, aconchegou-se novamente. Reconfortada, misturou nas águas suas próprias mágoas.

Terminado o pranto e o banho, sentou-se à penteadeira para seus cabelos escovar e, sob o seu reflexo, pôs-se a refletir sobre si mesma, refletir sobre ele, refletir sobre o que acontecera, refletir sobre o que os outros achariam, refletir sobre o futuro, refletir sobre sua vida, refletir sobre tudo que pudesse ser refletido. Refletir. E, em meio a suas reflexões, não teve dúvidas e refletidamente tornou-se espelho.
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