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Poeta e apenas poeta

Já me olharam espantados quando digo que sou poeta e só poeta. Que não canto, nem danço, nem atuo, nem pinto, nem bordo, que "só" ...

domingo, 11 de março de 2012

Autobiográfico


Lucas C. Lisboa

Eu mordo como quem beija
acaricio com meus dentes
na justa medida que almeja
a pele nua com seus frêmites

Meu amor é limpo e imundo
lhe faço puta e menina
misturo mimo e maltrato
num ciclo que não termina

Eu fodo como quem transa
com prazeres indigentes
no meu gozo que esbanja
mil perversões indecentes

Meu labor é vagabundo
poeta por vocação e sina
mas de livreto barato
que meus leitores fascina

Protesto como quem cala
o cântico de um santo
numa melodia que embala
da criança o doce pranto

Eu degusto como trago
qualquer vinho antes da ceia
para limpar todo o amargo
que a embriagez semeia

Poeto como quem fala
a prosa de riso pronto
mas que "sem querer" abala
seja o sábio ou o tonto

Eu escrevo como apago
a frase de amor na areia
e caminho a passo largo
para cair em sua teia

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