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quarta-feira, 27 de junho de 2018

Marcenaria

Após os anos que me arrombaram a porta para me fazer mal com a desculpa de preocupação finalmente consertei.

Nesses anos ninguém pôde fazê-lo por mim, por mais que eu pedisse, implorasse para aqueles que por um motivo ou outro pousaram do meu lado.

Nenhum, nenhum foi capaz de consertar a porta que me arrombaram. Arrombaram essa porta e levaram cá de dentro minha paz, minha vida, meu eu e tudo mais.

Mas hoje, sozinho, a porta tem todo seu batente bem preso, fixo. Os parafusos amostra são aparentes como são aparentes as minhas cicatrizes, são aparentes meus erros, minhas falhas, minha história. Não pretendo pinta-los de azul para não ficarem tão visíveis. Eles estão ali por um motivo e não há porque esconder.

Agora só me falta ter de volta a chave da fechadura.

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